27 de out. de 2013

Cachorro Vinagre - O Pequeno Lobo Brasileiro


O ‘cachorro-vinagre’ (Speothos venaticus Lund) também é conhecido, dependendo da região, como ‘cachorro-do-mato-vinagre’, ‘janauiras’, ‘jaguaracambé’ ou ‘acarambé’ (do tupi guarani, que quer dizer cachorro-do-mato). Tinha uma ampla e densa distribuição no Brasil. Hoje está ameaçado de extinção. Como é uma espécie de interior de florestas, sua população tem sido reduzida drasticamente pala redução de seu hábitat devido ao desmatamento.
Além disso, o problema do contato com o ambiente humana trás um fator adicional de pressão sobre esta espécie. O cachorro vinagre é um predador potencial dos animais domésticos, o que torna o encontro da espécie com o ser humano um problema. Como possui hábitos diurnos, está mais exposto, podendo esse ser um fator adicional.
Mas o status de conservação dessa espécie é incerto. Seus hábitos são pouco conhecidos pela ciência. Por ser um animal bastante arredio, seu estudo e observação não é uma tarefa fácil. Geralmente evita a presença humana e o contato com animais domésticos. Procura tocas para se abrigar e se esconder. Sua coloração também o ajuda a se camuflar na floresta, pois se confunde com a cor do solo, troncos de árvores, etc. No estado de Minas Gerais foi considerado extinto desde 1995, sendo seu último avistamento em 1840. Somente 167 anos depois, em 2007, o cachorro-vinagre foi novamente avistado no Parque Estadual Veredas do Peruaçu (MG). 

Fonte: AgênciaMinas; Foto: Guilherme Ferreira / Instituto Biotrópicos

Apesar de pouco conhecido, já foi bem popular no passado. Existe inclusive uma expressão, não tão usada atualmente, associada ao animal e difundida em diferentes estados do Brasil, que é: "Vai te deitar vinagre!", e é usada normalmente quando alguém está incomodando. Porém, hoje um pouco esquecido por uma cultura cada vez mais urbanizada, a espécie corre sério risco. A origem do nome ‘cacchorro-vinagre’ é incerta, mas há duas possíveis origens. Uma delas, a mais provável, seria pelo fato de a urina do animal ter ‘cheiro semelhante a vinagre’. A outra seria devido à ‘cor de vinagre’ do pelo.
Nos ecossistemas, o cachorro-vinagre desempenha uma função importante na cadeia alimentar. É o único canídeo brasileiro que vive em grupos. Por essa razão tem uma dieta variada, a mesma razão pela qual incomoda o homem em ambientes rurais. Alimenta-se de animais bem pequenos, como sapos, ratos, etc. E, apesar de ser pequeno, medindo até cerca de 70 cm e pesando até 8 kg, se alimente também de animais bem maiores que ele, como filhotes de filhotes de capivara e anta, graças ao comportamento de grupo. Pode inclusive perseguir e capturar sua preza dentro da água. Possui adaptações para isso, como membranas interdigitais nas patas, o que melhora a eficiência do deslocamento na água.
O cachorro-vinagre forma pequenas matilhas de até cerca de 10 indivíduos — com registro de até 12 indivíduos , o que lhe permite articular a caçada de animais grandes. Grupos estudados foram observados organizados de forma que, enquanto alguns perseguiam a preza na água, outros se posicionavam em vigia em terra, cercando a preza. Por essa razão, compete com outros predadores maiores, como a onça, e pequenos, como a jaguatirica e o graxaim.

Fonte: Redação UOL Crianças; Foto: Edson de Souza Lima

Contudo, até recentemente não existiam programas específicos, exceto ações pontuais, voltados à conservação dessa espécie. Porém, recentemente, o Plano de Ação Nacional de Conservação do Cachorro-Vinagre, coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação Mamíferos Carnívoros (CENAP), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vai começar um programa de reprodução em cativeiro no Parque Zoobotânico de Parauapebas, na Floresta Nacional de Carajás, Pará. O objetivo principal é tentar retirar a espécie da categoria 'vulnerável' do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção.
Mas, a conservação de qualquer espécie exige um envolvimento de todos os setores da sociedade. E para que qualquer iniciativa de conservação de uma espécie dê certo, o primeiro passo é conhecer a espécie que se quer conservar. Então, aproveite para conhecer um pouco mais sobre o cachorro vinagre (ver Fontes no final).

Bottom de divulgação do site Ecologia – Produtos e Conscência

 Leon Maximiliano Rodrigues

Fontes:
Diretoria de Biodiversidade do IEF / Ascom-Sisema. 2007. Cachorro-do-Mato-Vinagre é avistado em Minas após 167 anos. Instituto estadual de Florestas (Minas Gerais). Dispnível em <http://www.ief.mg.gov.br/noticias/1/260-cachorro-do-mato-vinagre-e-avistado-em-minas-apos-167-anos> Acessado em 27/10/2013.
AgênciaMinas. 2013. Cachorro-vinagre é registrado no Norte de Minas Gerais. Agência Minas – Notícias do Governo do Estado de Minas Gerais, Meio Ambiente. Disponível em <http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticias/cachorro-vinagre-e-registrado-no-norte-de-minas-gerais/> Acessado em 27/10/2013.
Bourscheit, A. 2012. Raro cachorro-vinagre é registrado vivo em MG. WWF Brasil. Disponível em <http://m.wwf.org.br/participe/empresas_meio_ambiente/?32942/Raro-cachorro-vinagre--registrado-vivo-em-MG> Acessado em 27/10/2013.
Paschoal, F. 2013. Cachorro-vinagre: reprodução em cativeiro tenta salvar animal ameaçado de extinção. National Geographic Brasil: Curiosidade Animal. Disponível em <http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/blog/curiosidade-animal/cachorro-vinagre-animal-ameacado-de-extincao/?utm_source=redesabril_ngb&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_ngb> Acessado em 27/10/2013.

Link Recomendado:

31 de mai. de 2013

Mania Conspiracionista ou Fato?

Me deparei recentemente com esse vídeo no YouTube:




http://www.youtube.com/watch?v=tTqK_GEENgs&feature=youtu.be

Parece a mais pura paranoia conspiratório. Mas não consegui evitar de ficar com uma pulga atrás da orelha.

Ora, se existe uma ferramenta que permite acessar facilmente informações estratégicas de milhões de pessoas, por que não utilizá-la?

Se o contrato realmente transfere a propriedade do que é publicado totalmente para o Facebook, o Facebook pode vender ou conceder o acesso a esse banco de dados quando desejar e por qualquer valor.

Há um nível de exposição muito alto nas redes sociais. As pessoas expõem muito mais do que fariam na vida real. Se sentem protegidas por estarem em suas casas ou escritórios, e acabam revelando coisas que jamais mostrariam por meio de contato pessoal direto com outras pessoas. E diferente de um contato real, as informações ficam permanentemente disponíveis ali para serem administradas e acessadas.

Algumas pessoas acabam vivendo mais na rede social que na vida real. São fortemente afetadas pelo que acontece na rede social. Há pessoas que tem suas carreiras e vidas significativamente afetadas porque gastam muito tempo e preocupação nas redes sociais.

Essa força silenciosa e invisível que se infiltra na vida de milhões de pessoas vem mudando o padrão das relações humanas. E certamente deve ter chamado a atenção de quem trabalha com a opinião pública ou busca influenciar o comportamento das pessoas visando ganhos econômicos, por exemplo.

Paranoia ou fato, pouco importa. A lógica mostra que existe um risco associado à vida virtual nas redes sociais, seja por existirem grupos manipulando e usando as informações disponíveis nas redes sociais, seja porque as pessoas se perdem na rede e perdem o foco de suas vidas...

22 de fev. de 2013

Os Desafios dos Educadores na Sociedade Contemporânea

NOTA: Texto em construção!

Fonte: ACNET Broadcast Solution

 
Novas perspectivas são lançadas aos educadores, tanto pelo contexto do país, que deve assimilar as consequências de ser uma nação em desenvolvimento e crescimento econômico, como pelas intensas transformações da sociedade tecnológica e cada vez mais cientificada. Hoje temos que lidar com grandes quantidades de informações e novas tecnologias. Além disso, o avanço praticamente exponencial do conhecimento e da quantidade de informações disponíveis é uma das grandes características da sociedade contemporânea.
Essa sociedade, que se aperfeiçoa constantemente e se torna cada vez mais complexa – sem falar no aumento da população –, exige cada vez mais dos indivíduos em termos de preparo e formação para lidar com as novas demandas. A velocidade e a intensidade com que as coisas acontecem impõe a necessidade de meios mais eficazes de levar cada vez mais “informação e formação” às pessoas. Encurtar as distâncias – no tempo e no espaço – e melhorar a acessibilidade são estratégias necessárias para democratizar o acesso à informação e proporcionar formação mínima a todos. E a única forma de se fazer isso talvez seja através de novos modelos de ensino e aprendizagem, destacando-se nesse processo o papel da EaD (Educação a Distância), possibilitados pelas novas tecnologias.
Nesse contexto, os desafios dos educadores incluem, dentre outros, se adaptar às novas linguagens associadas às novas tecnologias e a um universo cada vez mais dinâmico.
Além disso, as novas demandas da sociedade contemporânea não dependem somente da implementação de técnicas e estratégias, mas de uma mudança de comportamento, especialmente dos adultos que pretendem se inserir e acompanhar as mudanças sociais. Isso implica em um processo de educação que não ocorre espontaneamente, mas precisa ser catalisado, pois envolve a formação de adultos já adaptados. Estes precisam “aprender a aprender”, como é defendido pelos andragogos*. E o educador é o catalisador desse processo.
Contudo, os adultos atuantes normalmente não disponibilizam de tempo para buscar a formação que lhes é exigida em instituições convencionais. Assim, as ações de capacitação através de diferentes meios (mídia, mobilização, etc.) são fundamentais para o processo de mudança de paradigma cultural. Tais ações possibilitam – por exemplo através da educação corporativa e da EaD – meios de incorporar o processo de formação à vida desses adultos. O objetivo é que a educação constitua um processo permanente na vida de uma pessoa, possibiltando a constante atualização e adaptação a uma sociedade em constante mudança.
Por isso, um dos grandes desafios dos educadores é se adequar ao novo contexto de aprendizagem, se posicionando como catalisadores ou facilitadores do processo.
Ainda, é preciso perceber, durante o processo de aprendizagem, que existem diferentes tipos ou comportamentos dos aprendentes. Noutras palavras, existem diferentes formas de aprender, que exigem diferentes abordagens do educador. Como as novas abordagens visam inserir a educação não como um processo à parte, externo, mas inserido na realidade do educando, os conteúdos devem ser percebidos pelo aprendente através de suas vivências. Isso implica na constatação de que cada aducando possui realidade diferente e respostas diferentes à realidade. Perceber a particularicadae de cada contexto é mais um grande desafio ao educador visando o melhor aprendizado possível.
Esta é a visão adotada na EaD, que vem crescendo e respondendo por uma parcela cada vez mais sgnificativa. Trata-se de uma nova concepção de educação, que rompe os limites físicos do processo educacional, o que já vem acontecendo em universidades de diversas partes do mundo, como a Universidade Virtual do Pays de la Loire (França), a Universidade Aberta da Catalunha (Espanha), a Open University (Inglaterra) e a Universidade Virtual do Instituto Tecnológico de Monterrey (México) (Vogt, 2013).No estado de São Paulo, a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) já vem demonstrando que essa nova abordagem possibilita que é possível o ensino superior público e gratuito com qualidade bem como potencial dessa nova abordagem para ampliar o acesso à educação.
Segundo Vogt (2013), as vagas na graduação das três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) – que estão entre as melhores do País – foram aumentadas em mais de 60% no período de 1995 a 2010, enquanto que quando a Univesp lançou a primeira edição do curso de Pedagigia, resultou numa ampliação de 21% das vagas ofertadas pela Unesp e de 6.5% das vagas do ensino público do estado de São Paulo. Se considerar as vagas de Pedagogia das 3 universidade estaduais paulistas, o número de vagas triplicosu (aumento de 181%), mostrando o alcance da Univesp.
...

Leon Maximiliano Rodrigues


Referâncias

Vogt, C. 2013. A Univesp e as tecnologias para a educação: conhecimento como bem público. ESTADÃO.COM.BR/Educação. Disponível em: Acessado em: 26/04/2013.

* A "Andragogia" é a arte ou ciência de orientar adultos a aprender, segundo a definição creditada a Malcon Knowles, na déc. de 1970. Otermo remete a um conceito de educação voltada para o adulto, em contraposição à pedagogia, que se refere à educação de crianças.

7 de fev. de 2013

O Simples Direito de Existir




Por que ainda julgamos a utilidade das coisas somente em função dos serviços que prestam ao ser humano? Esse parece ser o critério decisivo para as ações humanas, assim como foi recentemente em Porto Alegre (RS), quando a Prefeitura decidiu derrubar inúmeros indivíduos da vegetação na Husina do Gasômetro e outras localidades, visando a duplicação de ruas para atender as demandas da Copa (Links 1 e 2a, b).
Aparentemente são apenas árvores. Mas, são de fato seres vivos com direitos por si só. Além disso, a derrubadade de arvores em Porto Alegre (RS) também está relacionada à percepção da Natureza como nosso quintal com os recursos disponíveis para expropriação. E essa percepção está muito associada ao sentimento do ser humano como algo externo à Natureza e, portanto, imune aos efeitos das alterações que produzimos no meio ambiente.
Contudo, o bom senso e as grandes questões globais nos mostram que já passou da hora de vermos o ser humano como centro de tudo. Superar o antropocentrismo não é mera questão de princípios, mas de necessidade.
A questão posta acima reflete um problema cultural historicamente arraigado na sociedade. E se repete em diferentes escalas ao longo do tempo, desde a derrubada de uma árvore no quintal de uma casa ao desmatamento de milhares de hectares na Amazônia. Ou seja, o julgamento sobre "fazer ou não" depende da utilidade imediata que tem para o homem ou sua economia. Porém, essa noção simplificada ignora os efeitos em cadeia que levam ao homem. Ignora que somos afetados pelas mudanças que nós mesmos produimos na paisagem.
Perceber que somos parte da natureza é como perceber que o dedão do pé faz parte do nosso corpo e é afetado quando um nervo no pescoço é rempido. Co-evoluímos com a natureza e todos os seres vivos que a constituem, em um precesso de contínua e mútua dependência.
Derrubar as árvores do Gasômetro não chega a ser algo catastrófico, não ameaça os ecossistemas já tão depauperados. Mas reflete uma cultura danosa ao meio ambiente, ao homem e sua economia. Reflete também um modelo de desenvolvimento que já nao se sustenta e que esgota aos poucos as possibilidades futuras.
Apesar disso, tal sentimento não é uma regra absoluta. Um contingente crescente de pessoas vem se manifestando em contrário à cutura dominante, e coloca em cheque o que chamamos de representatividade do poder público. Por exemplo, ao mesmo tempo em que a mídia veicula o fato ocorrido, ela questiona as razões do poder público (Link 2). Tabém ao mesmo tempo as pessoas se manifestam através das redes sociais (Link 3).
E ainda que nenhuma polêmica resolva ou esclareça questões comoe essa, não podemos ignorar o simples direito de existência de um ser vivo... 
Leon Maximiliano Rodrigues

Links sobre o caso de Porto Alegre:
Link 1 (Matéria G1)
Link 2a e Link 2b (Matérias rsurgente)
Link 3 (Comunidade Facebook)