9 de out. de 2014

Interesse e Curiosidade, a Chave para Uma Educação Eficiente

Um tema bastante discutido há muito tempo, mas sempre distante da realidade do processo de educação agora conta com evidências científicas. “Aprendemos melhor quando temos interesse”, e esse deveria ser um dos princípios orientadores mais importantes da educação em todas as fases da vida.
A theme much discussed long time, but always distant from the reality of the education process now has scientific evidence. "We learn best when we are interest," and this should be one of the most important guiding principles of education at all stages of life.
Uma pesquisa publicada por Matthias J. Gruber e colaboradores na revista Neuron (2014) trás fortes evidências da relação da aprendizagem com a curiosidade. Veja abaixo o comentário sobre o estudo publicado recentemente na revista Nature (seguem os links para o comentário e artigo no final da postagem).
A survey published by Matthias J. Gruber and colleagues in Neuron (2014) magazine offers strong evidence of the relationship of learning with curiosity. See below the comment on the study recently published in Nature (follow the links at the end for the comment and article).


Como a Curiosidade Melhora a Aprendizagem
How Curiosity Enhances Learning

Dunas de areia clara com areia escura na superfície de Marte em imagem obtida pela sonda espacial Mars Reconnaissance Orbiter (MRO). (Fonte: Folha de São paulo). "A curiosidade levou os cientístas (e a ciência) a transcender as fronteiras no nossos sistema planetário, e tem levado nossa percepção cada vez mais longe".


A curiosidade aumenta a capacidade das pessoas de aprender e reter novas informações, graças a centros de recompensa e de memória chaves no cérebro.

Curiosity boosts people’s ability to learn and retain new information, thanks to key reward and memory centres in the brain.

Matthias Gruber e seus colegas da Universidade da Califórnia (Davis, CA) pediu a voluntários para avaliar seu nível de curiosidade para uma série de questões triviais, e então escaneou seus cérebros enquanto ouviram as perguntas e esperaram pelas respostas.

Matthias Gruber and his colleagues at the University of California, Davis asked volunteers to rate their level of curiosity for a series of trivia questions, and then scanned their brains as they saw the questions and waited for the answers.

No caso de questões sobre as quais eles estavam curiosos, os participantes lembraram melhor de respostas do que para questões sobre as quais eles estavam menos interessados​​. Os escâneres do cérebro mostraram aumento de atividade durante este aprendizado em regiões responsáveis por recompensas e regulam a formação da memória, e revelou elevada conectividade entre as duas regiões.

For questions that they were curious about, participants remembered answers better than for questions in which they were less interested. Brain scans showed increased activity during this learning in regions that respond to reward and regulate memory formation, and revealed heightened connectivity between the two regions.

Foram mostrados rostos alheios aos voluntários enquanto aguardavam as respostas triviais, e eram melhores em aprender as faces quando sua curiosidade era despertada. Isto sugere que a curiosidade também contribui com a aprendizagem de informação incidental.


The volunteers were shown unrelated faces while they waited for the trivia answers, and were better at learning those faces when their curiosity was aroused. This suggests that curiosity also helps with the learning of incidental information.


Comentário da Naturei:

Artigo original:
Neuron http://doi.org/v6m (2014)

20 de mar. de 2014

Um Caos Elegante


Há poucas teorias universais na ecologia e são distantes entre si, mas é isso que a torna fascinante.

Fonte: LOVEintheSNOW
Um dos textos do editorial da revista Nature desse ano comenta sobre um debate interessante sobre o estudo de sistemas ecológicos. E ao contrário do que muitos pensam, a Ecologia é apresentada no texto, semelhante a outras grandes áreas do conhecimento, como uma ciência da complexidade. Mas, diferente dos campos mais notórios das ciências naturais, talvez o caminho para estudar ecologia não seja necessariamente a busca por padrões ou leis abrangentes, mas a compreensão do funcionamento único de cada ecossistema. O texto segue em tradução não totalmente literal, e pode conter alguns erros, sem prejudicar a compreensão.

Para alguns cientistas em outros campos, a ecologia deve parecer relativamente simples. Muitos dos organismos vivem em uma escala muito humana e são de fácil acesso, especialmente em ecologia de comunidades. Os ecólogos não precisam de equipamentos especiais para ver e contar alces. Não há microscópios eletrônicos, telescópios espaciais ou sondas de perfuração que podem dar errado. É fácil.

No entanto, os ecólogos sabem que seu objeto pode ser tão problemático como qualquer outro. A Ecologia poderia ser fácil, se não fosse por todos os ecossistemas – vastamente complexos e variáveis como são. Até mesmo o deserto mais austero ou o pântano aparentemente menos inexpressivo é uma rede intricada e densa de milhares de espécies fotossintetizadoras, predadores, animais presas, parasitas, detritívoros e decompositores. Como o naturalista E. O. Wilson colocou: “Uma vida inteira pode ser gasta em uma viagem de Magalhães em torno do tronco de uma árvore.” E nem tudo o que se pode aprender a partir de tal viagem seria transferido para a próxima árvore. História, acaso, clima, geologia e – cada vez mais – atividades humanas fazem com que não haja dois ecossistemas que funcionem da mesma maneira.

Os cientistas gostam de impor ordem e estrutura no caos, e os ecólogos não são diferentes. A Ecologia tem suas grandes teorias, mas elas estão repletas de cláusulas condicionais, ressalvas e exceções. Há padrões claros em escalas globais e de uma única espécie, mas o meio termo é, como o biólogo John Lawton colocou afetuosamente in 1999, “uma confusão”. É duvidoso que as generalidades que fundamentam os padrões complexos da natureza serão sempre formuladas de maneira sucinta o suficiente para ajustar-se a um molde.

Esta complexidade é demonstrada pelo trabalho que questiona uma famosa e elegante ‘cascata trófica’ no Parque Nacional Yellowstone, Wyoming (EUA) (discutido na pág. 158 desta edição da Nature). A teoria diz que os lobos, reintroduzidos no parque nos anos 1990 após décadas de ausência, expulsam os alces para longe de certas áreas. Isso tem um efeito dominó para o resto da cadeia alimentar, permitindo o florescimento da faia preta e o salgueiro após décadas sendo pastejadas quase até à morte. Mas estudos em anos recentes sugerem que os lobos sozinhos não controlam o ecossistema. Outros fatores – a presença de represas de castores e ursos pardos, meteorologia, caça por humanos e até mesmo mudanças climáticas – também afetam a população de alces e o crescimento de árvores e arbustos.

Seria útil ter padrões gerais e comuns em Ecologia. Saber como os ecossistemas vão responder às mudanças climáticas, ou ser capaz de prever as consequências da introdução ou reintrodução de uma espécie, tornaria a conservação mais efetiva e eficiente. Mas, uma teoria unificada para tudo não é o único meio para adquirir conhecimento.

Mais ecólogos devem abraçar o lado não preditivo da sua ciência. Desvendar o que está acontecendo em sistemas complexos pela observação de como ecossistemas evoluíram e pela manipulação do ambiente em experimentos, é uma ciência tanto quanto a criação de fórmulas para descrever como ecossistemas trabalham.

Mudanças de paradigmas, afinal, são raras em Ecologia. Os debates são frequentemente resolvidos quando conceitos concorrentes combinam, e não quando um empurra o outro completamente para fora da mesa. Considere as idéias contrastantes de regulação ‘top down’ dos ecossistemas por carnívoros e a regulação ‘bottom up’ pela nutrição disponível a partir de plantas. Há um trabalho lento na direção de uma teoria integrada para prever quando o ‘topo’ vai governar e quando a ‘base’ será responsável – e esta teoria vai levar algum tempo para considerar os jogadores do meio, os herbívoros.

Outros debates ecológicos tem seguido um caminho similar. A discordância sobre se os ecossistemas complexos são mais ou menos estáveis que os mais simples, por exemplo, também está se acomodando em um consenso: depende.

Predições práticas úteis não precisam derivar de leis universais. Em vez disso, podem vir de um conhecimento profundo do funcionamento único de cada ecossistema – conhecimento adquirido pela observação e análise. Existem propostas de teorias abrangentes, mas se os ecólogos querem produzir trabalho útil para a conservação, podem fazer melhor ao passar seus dias sentados calmamente em ecossistemas com seus cadernos impermeáveis ​​e lentes de mão, escrevendo tudo.

A complexidade ecológica, a qual pode parecer como um emaranhado de detalhes impenetrável, é a fonte de grande parte de nosso prazer na natureza. Se os ecossistemas fossem quebra-cabeças simples que trabalham todos da mesma maneira, perderiam muito de seu mistério, surpresa e beleza. Muitos trabalhos de conservação visam proteger a complexidade e variabilidade que tornam os ecossistemas tão difíceis de se entender e, de fato, de conservar.

As regulamentações ecológicas não são as únicas razões para promover a conservação e combater as extinções. Às vezes podemos argumentar para a conservação de uma espécie particular porque a ecologia fornece uma base científica para isso. Outras vezes, construímos o argumento porque há uma boa chance de que a Ecologia logo irá alcançar e explicar porque as espécies são importantes.

Mas, mesmo que alguns predadores façam pouco ao se assentarem no topo de suas pirâmides alimentares, selecionando alguns herbívoros, realmente queremos viver em um mundo sem eles? Responder a essa pergunta é realmente fácil.

Texto original em: Nature. Editorial, v. 507, n. 7491, p. 139-140, 13 March 2014, doi:10.1038/507139b. Disponível em: <http://www.nature.com/news/an-elegant-chaos-1.14849>; Acessado em: 20/03/2014.

Tradução: Leon maximiliano Rodrigues

27 de out. de 2013

Cachorro Vinagre - O Pequeno Lobo Brasileiro


O ‘cachorro-vinagre’ (Speothos venaticus Lund) também é conhecido, dependendo da região, como ‘cachorro-do-mato-vinagre’, ‘janauiras’, ‘jaguaracambé’ ou ‘acarambé’ (do tupi guarani, que quer dizer cachorro-do-mato). Tinha uma ampla e densa distribuição no Brasil. Hoje está ameaçado de extinção. Como é uma espécie de interior de florestas, sua população tem sido reduzida drasticamente pala redução de seu hábitat devido ao desmatamento.
Além disso, o problema do contato com o ambiente humana trás um fator adicional de pressão sobre esta espécie. O cachorro vinagre é um predador potencial dos animais domésticos, o que torna o encontro da espécie com o ser humano um problema. Como possui hábitos diurnos, está mais exposto, podendo esse ser um fator adicional.
Mas o status de conservação dessa espécie é incerto. Seus hábitos são pouco conhecidos pela ciência. Por ser um animal bastante arredio, seu estudo e observação não é uma tarefa fácil. Geralmente evita a presença humana e o contato com animais domésticos. Procura tocas para se abrigar e se esconder. Sua coloração também o ajuda a se camuflar na floresta, pois se confunde com a cor do solo, troncos de árvores, etc. No estado de Minas Gerais foi considerado extinto desde 1995, sendo seu último avistamento em 1840. Somente 167 anos depois, em 2007, o cachorro-vinagre foi novamente avistado no Parque Estadual Veredas do Peruaçu (MG). 

Fonte: AgênciaMinas; Foto: Guilherme Ferreira / Instituto Biotrópicos

Apesar de pouco conhecido, já foi bem popular no passado. Existe inclusive uma expressão, não tão usada atualmente, associada ao animal e difundida em diferentes estados do Brasil, que é: "Vai te deitar vinagre!", e é usada normalmente quando alguém está incomodando. Porém, hoje um pouco esquecido por uma cultura cada vez mais urbanizada, a espécie corre sério risco. A origem do nome ‘cacchorro-vinagre’ é incerta, mas há duas possíveis origens. Uma delas, a mais provável, seria pelo fato de a urina do animal ter ‘cheiro semelhante a vinagre’. A outra seria devido à ‘cor de vinagre’ do pelo.
Nos ecossistemas, o cachorro-vinagre desempenha uma função importante na cadeia alimentar. É o único canídeo brasileiro que vive em grupos. Por essa razão tem uma dieta variada, a mesma razão pela qual incomoda o homem em ambientes rurais. Alimenta-se de animais bem pequenos, como sapos, ratos, etc. E, apesar de ser pequeno, medindo até cerca de 70 cm e pesando até 8 kg, se alimente também de animais bem maiores que ele, como filhotes de filhotes de capivara e anta, graças ao comportamento de grupo. Pode inclusive perseguir e capturar sua preza dentro da água. Possui adaptações para isso, como membranas interdigitais nas patas, o que melhora a eficiência do deslocamento na água.
O cachorro-vinagre forma pequenas matilhas de até cerca de 10 indivíduos — com registro de até 12 indivíduos —, o que lhe permite articular a caçada de animais grandes. Grupos estudados foram observados organizados de forma que, enquanto alguns perseguiam a preza na água, outros se posicionavam em vigia em terra, cercando a preza. Por essa razão, compete com outros predadores maiores, como a onça, e pequenos, como a jaguatirica e o graxaim.

Fonte: Redação UOL Crianças; Foto: Edson de Souza Lima

Contudo, até recentemente não existiam programas específicos, exceto ações pontuais, voltados à conservação dessa espécie. Porém, recentemente, o Plano de Ação Nacional de Conservação do Cachorro-Vinagre, coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação Mamíferos Carnívoros (CENAP), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vai começar um programa de reprodução em cativeiro no Parque Zoobotânico de Parauapebas, na Floresta Nacional de Carajás, Pará. O objetivo principal é tentar retirar a espécie da categoria 'vulnerável' do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção.
Mas, a conservação de qualquer espécie exige um envolvimento de todos os setores da sociedade. E para que qualquer iniciativa de conservação de uma espécie dê certo, o primeiro passo é conhecer a espécie que se quer conservar. Então, aproveite para conhecer um pouco mais sobre o cachorro vinagre (ver Fontes no final).

Bottom de divulgação do site Ecologia – Produtos e Conscência

 Leon Maximiliano Rodrigues

Fontes:
Diretoria de Biodiversidade do IEF / Ascom-Sisema. 2007. Cachorro-do-Mato-Vinagre é avistado em Minas após 167 anos. Instituto estadual de Florestas (Minas Gerais). Dispnível em <http://www.ief.mg.gov.br/noticias/1/260-cachorro-do-mato-vinagre-e-avistado-em-minas-apos-167-anos> Acessado em 27/10/2013.
AgênciaMinas. 2013. Cachorro-vinagre é registrado no Norte de Minas Gerais. Agência Minas – Notícias do Governo do Estado de Minas Gerais, Meio Ambiente. Disponível em <http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticias/cachorro-vinagre-e-registrado-no-norte-de-minas-gerais/> Acessado em 27/10/2013.
Bourscheit, A. 2012. Raro cachorro-vinagre é registrado vivo em MG. WWF Brasil. Disponível em <http://m.wwf.org.br/participe/empresas_meio_ambiente/?32942/Raro-cachorro-vinagre--registrado-vivo-em-MG> Acessado em 27/10/2013.
Paschoal, F. 2013. Cachorro-vinagre: reprodução em cativeiro tenta salvar animal ameaçado de extinção. National Geographic Brasil: Curiosidade Animal. Disponível em <http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/blog/curiosidade-animal/cachorro-vinagre-animal-ameacado-de-extincao/?utm_source=redesabril_ngb&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_ngb> Acessado em 27/10/2013.

Link Recomendado:

31 de mai. de 2013

Mania Conspiracionista ou Fato?

Me deparei recentemente com esse vídeo no YouTube:




http://www.youtube.com/watch?v=tTqK_GEENgs&feature=youtu.be

Parece a mais pura paranoia conspiratório. Mas não consegui evitar de ficar com uma pulga atrás da orelha.

Ora, se existe uma ferramenta que permite acessar facilmente informações estratégicas de milhões de pessoas, por que não utilizá-la?

Se o contrato realmente transfere a propriedade do que é publicado totalmente para o Facebook, o Facebook pode vender ou conceder o acesso a esse banco de dados quando desejar e por qualquer valor.

Há um nível de exposição muito alto nas redes sociais. As pessoas expõem muito mais do que fariam na vida real. Se sentem protegidas por estarem em suas casas ou escritórios, e acabam revelando coisas que jamais mostrariam por meio de contato pessoal direto com outras pessoas. E diferente de um contato real, as informações ficam permanentemente disponíveis ali para serem administradas e acessadas.

Algumas pessoas acabam vivendo mais na rede social que na vida real. São fortemente afetadas pelo que acontece na rede social. Há pessoas que tem suas carreiras e vidas significativamente afetadas porque gastam muito tempo e preocupação nas redes sociais.

Essa força silenciosa e invisível que se infiltra na vida de milhões de pessoas vem mudando o padrão das relações humanas. E certamente deve ter chamado a atenção de quem trabalha com a opinião pública ou busca influenciar o comportamento das pessoas visando ganhos econômicos, por exemplo.

Paranoia ou fato, pouco importa. A lógica mostra que existe um risco associado à vida virtual nas redes sociais, seja por existirem grupos manipulando e usando as informações disponíveis nas redes sociais, seja porque as pessoas se perdem na rede e perdem o foco de suas vidas...

22 de fev. de 2013

Os Desafios dos Educadores na Sociedade Contemporânea

NOTA: Texto em construção!

Fonte: ACNET Broadcast Solution

 
Novas perspectivas são lançadas aos educadores, tanto pelo contexto do país, que deve assimilar as consequências de ser uma nação em desenvolvimento e crescimento econômico, como pelas intensas transformações da sociedade tecnológica e cada vez mais cientificada. Hoje temos que lidar com grandes quantidades de informações e novas tecnologias. Além disso, o avanço praticamente exponencial do conhecimento e da quantidade de informações disponíveis é uma das grandes características da sociedade contemporânea.
Essa sociedade, que se aperfeiçoa constantemente e se torna cada vez mais complexa – sem falar no aumento da população –, exige cada vez mais dos indivíduos em termos de preparo e formação para lidar com as novas demandas. A velocidade e a intensidade com que as coisas acontecem impõe a necessidade de meios mais eficazes de levar cada vez mais “informação e formação” às pessoas. Encurtar as distâncias – no tempo e no espaço – e melhorar a acessibilidade são estratégias necessárias para democratizar o acesso à informação e proporcionar formação mínima a todos. E a única forma de se fazer isso talvez seja através de novos modelos de ensino e aprendizagem, destacando-se nesse processo o papel da EaD (Educação a Distância), possibilitados pelas novas tecnologias.
Nesse contexto, os desafios dos educadores incluem, dentre outros, se adaptar às novas linguagens associadas às novas tecnologias e a um universo cada vez mais dinâmico.
Além disso, as novas demandas da sociedade contemporânea não dependem somente da implementação de técnicas e estratégias, mas de uma mudança de comportamento, especialmente dos adultos que pretendem se inserir e acompanhar as mudanças sociais. Isso implica em um processo de educação que não ocorre espontaneamente, mas precisa ser catalisado, pois envolve a formação de adultos já adaptados. Estes precisam “aprender a aprender”, como é defendido pelos andragogos*. E o educador é o catalisador desse processo.
Contudo, os adultos atuantes normalmente não disponibilizam de tempo para buscar a formação que lhes é exigida em instituições convencionais. Assim, as ações de capacitação através de diferentes meios (mídia, mobilização, etc.) são fundamentais para o processo de mudança de paradigma cultural. Tais ações possibilitam – por exemplo através da educação corporativa e da EaD – meios de incorporar o processo de formação à vida desses adultos. O objetivo é que a educação constitua um processo permanente na vida de uma pessoa, possibiltando a constante atualização e adaptação a uma sociedade em constante mudança.
Por isso, um dos grandes desafios dos educadores é se adequar ao novo contexto de aprendizagem, se posicionando como catalisadores ou facilitadores do processo.
Ainda, é preciso perceber, durante o processo de aprendizagem, que existem diferentes tipos ou comportamentos dos aprendentes. Noutras palavras, existem diferentes formas de aprender, que exigem diferentes abordagens do educador. Como as novas abordagens visam inserir a educação não como um processo à parte, externo, mas inserido na realidade do educando, os conteúdos devem ser percebidos pelo aprendente através de suas vivências. Isso implica na constatação de que cada aducando possui realidade diferente e respostas diferentes à realidade. Perceber a particularicadae de cada contexto é mais um grande desafio ao educador visando o melhor aprendizado possível.
Esta é a visão adotada na EaD, que vem crescendo e respondendo por uma parcela cada vez mais sgnificativa. Trata-se de uma nova concepção de educação, que rompe os limites físicos do processo educacional, o que já vem acontecendo em universidades de diversas partes do mundo, como a Universidade Virtual do Pays de la Loire (França), a Universidade Aberta da Catalunha (Espanha), a Open University (Inglaterra) e a Universidade Virtual do Instituto Tecnológico de Monterrey (México) (Vogt, 2013).No estado de São Paulo, a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) já vem demonstrando que essa nova abordagem possibilita que é possível o ensino superior público e gratuito com qualidade bem como potencial dessa nova abordagem para ampliar o acesso à educação.
Segundo Vogt (2013), as vagas na graduação das três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) – que estão entre as melhores do País – foram aumentadas em mais de 60% no período de 1995 a 2010, enquanto que quando a Univesp lançou a primeira edição do curso de Pedagigia, resultou numa ampliação de 21% das vagas ofertadas pela Unesp e de 6.5% das vagas do ensino público do estado de São Paulo. Se considerar as vagas de Pedagogia das 3 universidade estaduais paulistas, o número de vagas triplicosu (aumento de 181%), mostrando o alcance da Univesp.
...

Leon Maximiliano Rodrigues


Referâncias

Vogt, C. 2013. A Univesp e as tecnologias para a educação: conhecimento como bem público. ESTADÃO.COM.BR/Educação. Disponível em: Acessado em: 26/04/2013.

* A "Andragogia" é a arte ou ciência de orientar adultos a aprender, segundo a definição creditada a Malcon Knowles, na déc. de 1970. Otermo remete a um conceito de educação voltada para o adulto, em contraposição à pedagogia, que se refere à educação de crianças.

7 de fev. de 2013

O Simples Direito de Existir




Por que ainda julgamos a utilidade das coisas somente em função dos serviços que prestam ao ser humano? Esse parece ser o critério decisivo para as ações humanas, assim como foi recentemente em Porto Alegre (RS), quando a Prefeitura decidiu derrubar inúmeros indivíduos da vegetação na Husina do Gasômetro e outras localidades, visando a duplicação de ruas para atender as demandas da Copa (Links 1 e 2a, b).
Aparentemente são apenas árvores. Mas, são de fato seres vivos com direitos por si só. Além disso, a derrubadade de arvores em Porto Alegre (RS) também está relacionada à percepção da Natureza como nosso quintal com os recursos disponíveis para expropriação. E essa percepção está muito associada ao sentimento do ser humano como algo externo à Natureza e, portanto, imune aos efeitos das alterações que produzimos no meio ambiente.
Contudo, o bom senso e as grandes questões globais nos mostram que já passou da hora de vermos o ser humano como centro de tudo. Superar o antropocentrismo não é mera questão de princípios, mas de necessidade.
A questão posta acima reflete um problema cultural historicamente arraigado na sociedade. E se repete em diferentes escalas ao longo do tempo, desde a derrubada de uma árvore no quintal de uma casa ao desmatamento de milhares de hectares na Amazônia. Ou seja, o julgamento sobre "fazer ou não" depende da utilidade imediata que tem para o homem ou sua economia. Porém, essa noção simplificada ignora os efeitos em cadeia que levam ao homem. Ignora que somos afetados pelas mudanças que nós mesmos produimos na paisagem.
Perceber que somos parte da natureza é como perceber que o dedão do pé faz parte do nosso corpo e é afetado quando um nervo no pescoço é rempido. Co-evoluímos com a natureza e todos os seres vivos que a constituem, em um precesso de contínua e mútua dependência.
Derrubar as árvores do Gasômetro não chega a ser algo catastrófico, não ameaça os ecossistemas já tão depauperados. Mas reflete uma cultura danosa ao meio ambiente, ao homem e sua economia. Reflete também um modelo de desenvolvimento que já nao se sustenta e que esgota aos poucos as possibilidades futuras.
Apesar disso, tal sentimento não é uma regra absoluta. Um contingente crescente de pessoas vem se manifestando em contrário à cutura dominante, e coloca em cheque o que chamamos de representatividade do poder público. Por exemplo, ao mesmo tempo em que a mídia veicula o fato ocorrido, ela questiona as razões do poder público (Link 2). Tabém ao mesmo tempo as pessoas se manifestam através das redes sociais (Link 3).
E ainda que nenhuma polêmica resolva ou esclareça questões comoe essa, não podemos ignorar o simples direito de existência de um ser vivo... 
Leon Maximiliano Rodrigues

Links sobre o caso de Porto Alegre:
Link 1 (Matéria G1)
Link 2a e Link 2b (Matérias rsurgente)
Link 3 (Comunidade Facebook)