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| Ana Maria Primavesi (Fonte: Revista Attalea Agronegócio). |
“Ficamos cientes de que, onde a técnica se choca com as leis naturais, a natureza é que prevalece e domina. Devemos, portanto, reconhecer e aceitar esses limites, fazendo o máximo possível em favor da nossa terra.” (Ana Primavesi)
Ana Maria Primavesi — seu nome austríaco: Annemarie Conrad —, engenheira agrônoma brasileira nascida na Áustria faleceu ontem (05/01/2020). Assim, começamos 2020 com um pilar a menos na luta pela conservação da vida.
Inspirada pelo pai, Sigmund, um dos melhores criadores de gado da Áustria, interessou-se pela lida das terras que circundavam o castelo em que moravam (chamado Pichlhofen) (Knabben, 2019). Segundo Knabben (2019), cursar agronomia foi uma continuidade do que já vivia em casa, uma vida ligada ao trabalho do campo, conectada à natureza.
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| Ana e Artur Primavesi (seu marido e colaborador) no laboratório da Universidade de Santa Maria, 1962 (Knabben, 2019). O casal foi importante no pioneirisma da Agroecologia. |
Ana Primavesi foi e será uma das grandes influências na ciência e na conservação de solos. Através de seu trabalho propôs que o solo fosse entendido com um importante "sistema vivo", visão que vai contra a percepção convencional da agricultura moderna, em que o solo é meramente um suporte para o desenvolvimento da planta, passível de manipulação tal qual uma máquina ou uma receita de bolo.
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| Livro de Ana Primavesi publicado em 2016, sendo uma de suas últimas contribuições. |
Ao entender o solo como um sistema vivo, passamos entender que não é algo estático, mas que evolui com o tempo, através das interação de seus diversos componentes, incluindo os animais invertebrados do solo, os microorganismos (fungos e bactérias), e mesmo as plantas que interagem profundamente com o solo através de suas raízes.
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| Livro de Ana Primavesi de 1964. Como cientista percebeu desde o início da grande aceleração industrial da sociedade que a humanidade escolheu um caminho errado. |
Muito além disso, entretanto, o sistema que promove a fertilidade e estrutura de um solo envolve todo o ecossistema que se desenvolve nele e promove as interações que fazem o solo ser o que é. Assim, se existe um solo fértil numa lavoura, é porque antes existia ali um ecossistema. Ao "limpar" o solo, removendo a vegetação, que culturalmente passamos a considerar um inconveniente, removemos componentes importantes que faziam parte do sistema que promovia a qualidade do solo.
O resultado é que o solo vai gradativamente perdendo sua fertilidades e estrutura. A biodiversidade (fauna e microbiota) do solo vão sendo gradativamente perdidas, levando a uma progressiva incapacidade do solo de manter suas características, como fixação de nutrientes, capacidade de infiltração e retenção de água, etc.
Primavesi anteviu para o solo o mesmo que vem sendo discutido atualmente para o planeta inteiro: a importância da vida e dos sistemas vivos para a manutenção da habitabilidade do planeta. Por isso, promoveu através de seus trabalho a produção de conhecimentos sobre o manejo ecológico e sustentável dos solos.
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| Livro de Ana Primavesi de 2002. |
Ana Primavesi partiu. Mas, deixa um legado importante para a gestão dos solos e para a sustentabilidade humana na Terra. Desejamos que seu legado ganhe o poder de influência que as futuras gerações merecem.
Ana Maria Primavesi (Fonte: Jornal Opção).
Referências
Knabben, V. M. 2019. A extraordinária história de vida de Ana Maria Primavesi. Estudos Avançados, v. 33, n. 96, p. 459-476.






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